Cortejo celebra o Dia Mundial da Água e destaca a importância das religiões de matrizes africanas

22/03/2024 - 17:11 Atualizado há 2 dias



Para marcar o Dia Mundial da Água, comemorado hoje (22), e o Dia Internacional de Combate à Discriminação Racial, junto ao Dia Nacional das Tradições das Raízes Africanas e do Candomblé, ambos em 21 de março, a Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), juntamente com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), promoveram um cortejo pelo Centro Histórico de São Cristóvão. O evento reuniu adeptos de religiões de matrizes africanas, que partiram da Igreja dos Homens Pretos até a Praça da Matriz para uma cerimônia de lavagem simbólica das plantas com as  águas do Rio Pitanga, um dos rios que banham o município. 

 

 

 

Conforme destacou a coordenadora de igualdade racial da Semas, Sandra Sena, "o propósito foi demonstrar aos alunos e à comunidade em geral que as crenças ou tradições africanas não se limitam apenas ao aspecto religioso, mas também enfatizam a preservação e a proteção da natureza, do ambiente em que vivemos. Hoje concluímos a nossa celebração com a coleta da água do rio Pitanga, cuja limpeza foi realizada ontem através do projeto “Mãe das Águas”, e culminou na ação de irrigar as plantas, simbolizando o respeito, a valorização e a constante responsabilidade entre o ser humano e o ambiente natural", esclareceu.

 

Sandra Sena, coordenadora de igualdade racial da Semas

 

Para o coordenador de educação ambiental da Semma, Manuel Júnior, “é fundamental a importância de realizar eventos como este, para que a população entenda, sobretudo as crianças e jovens aqui presentes, e vejam a ligação entre as religiões de matrizes africanas e a educação ambiental. Essas questões estão correlacionadas, já que os adeptos destas religiões fazem suas oferendas aos orixás que estão ligados à natureza, ao cuidado com o meio ambiente”, pontuou.

 

Manuel Júnior, coordenador de educação ambiental da Semma

 

Participações

 

Em colaboração com a Secretaria Municipal de Educação, que anualmente demonstra seu compromisso com o evento por meio da participação de alunos, professores e gestores, o diretor da Emef São Cristóvão, Arilucio Espinheiro enfatizou: "É fundamental envolver os alunos para que compreendam a importância deste dia dedicado à água e também para apresentar a diversidade religiosa. Dentro dessa diversidade, existe uma comunidade empenhada na luta contra o racismo. Nosso objetivo é formar jovens cidadãos que sejam livres de preconceitos e solidários diante de todas as batalhas sociais". 

 

Arilucio Espinheiro, diretor da Emef São Cristóvão

 

O Babalorixá Fernando Kassideran, pedagogo e doutor em Ciências da Educação, enfatizou a relevância do evento como um meio de promover conscientização e respeito. “O cortejo de hoje e a limpeza que aconteceu  ontem são marcos históricos que visam educar nossos jovens e a sociedade, desmistificando a visão equivocada de que os cultos afro são demonizados. Na verdade, eles são protetores da natureza. A água é essencial para as religiões de matriz africana, e as ações da Prefeitura de São Cristóvão têm sido fundamentais para o fortalecimento da nossa religião no estado”, apontou.

 

Babalorixá Fernando Kassideran, pedagogo e doutor em Ciências da Educação

 

Visitantes

 

Maria Eduarda, estudante de Ciências Sociais na Universidade Federal de Sergipe (UFS), participou do cortejo acompanhada de seus colegas e do professor. Para ela, "é essencial combater os estigmas que cercam essa religião, frequentemente alvo de preconceito e perseguição. Acompanhar essa celebração é fundamental para promover a inclusão e o respeito a essas comunidades na sociedade, assim como deve ocorrer com qualquer outra religião. É significativo ver a presença de crianças, adultos e membros da comunidade acadêmica. Além disso, a cobertura da mídia é crucial para dar visibilidade a esse momento tão importante”, afirmou. 

 

Maria Eduarda, estudante de Ciências Sociais na UFS

 

Ulisses Neves Rafael, professor de antropologia da UFS, ao conduzir uma atividade de mapeamento dos terreiros na Grande Rosa Elze, viu no cortejo uma oportunidade para engajar seus alunos e enriquecer sua compreensão prática sobre o tema. “Acompanhar eventos como esse não só enriquece o aprendizado acadêmico, mas também é uma forma de dar visibilidade às religiões afro-brasileiras que durante muito tempo ficaram sob o peso da repressão e realizavam suas práticas de maneira discreta e oculta. Por isso é fundamental que tais tradições sejam celebradas abertamente, contribuindo para desmistificar e combater os estigmas ainda presentes na sociedade”, enfatizou. 

 

Ulisses Neves Rafael, professor de antropologia da UFS

 

 

 

 

 

Fotos: Dani Santos