SMS e SEMAS promovem capacitações intersetoriais sobre Assistência Social, Saúde e Direitos Humanos

19/01/2024 - 18:56 Atualizado há 5 horas



Nos dias 16 e 17 de janeiro, a Secretaria Municipal de Saúde de São Cristóvão, por meio da Diretoria de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde (DGTES), Coordenação de Educação Permanente em Saúde (COEDS) e em parceria com o Instituto Opy e a Fundação José Luiz Egydio Setúbal, iniciou uma série de capacitações intersetoriais intitulada “FormAÇÃO: ciclos integrados de Educação Permanente para trabalhador@s do SUS São Cristóvão”. 

 

A primeira etapa das atividades é fruto de uma parceria com a Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), tendo como tema "Assistência Social e Direitos Humanos: Apresentação da Rede SUAS e seus fluxos". Essa etapa é voltada para Agentes Comunitários de Saúde (ACS), Assistentes Sociais e gerentes das unidades de saúde do município e aconteceu no Auditório do Paço Municipal, com continuação nos dias 22, 23 e 29 de janeiro, das 8h às 12h.

 

 

Nesses primeiros encontros, será trabalhado o funcionamento do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), apresentando os equipamentos da proteção social básica, os CRAS - Centros de Referência de Assistência Social - e os CREAS - Centros de Referência Especializados de Assistência Social.

 

A diretora de Gestão de Trabalho e Educação na Saúde de São Cristóvão, Sayonara Carvalho, explica que essa é apenas a abertura para um ciclo de capacitação com os trabalhadores da rede de São Cristóvão com a temática do SUS e direitos humanos no cronograma da Educação Permanente em Saúde. A ideia é iniciar com esse público e expandir para toda a equipe de saúde e seus territórios nos próximos meses.

 

“A temática desse primeiro ciclo vai ser apresentar o SUAS a toda a rede de pessoas de São Cristóvão. Na sequência, ao longo do semestre, em cada mês teremos uma temática. Vamos falar da insegurança alimentar, benefícios sociais, discutir a violência. E por que começar como agente de saúde? Porque é a ligação entre a unidade de saúde e a população. É ele que mora no território, é ele que sabe essa demanda”, afirma a diretora.

 

Sayonara Carvalho, diretora de Gestão de Trabalho e Educação na Saúde de São Cristóvão

 

Ana Caroline Trindade, diretora de Proteção Social da SEMAS, indica que a Assistência Social contribui na perspectiva da construção desse processo de formação com os Agentes Comunitários de Saúde. Desde a primeira reunião, segundo ela, foi verificado coletivamente o que era de coexistência e necessário para que esse ACS tivesse a compreensão da importância do papel dele em fortalecer ambas as políticas: política de saúde e política de assistência social.

 

“Para nós, que estamos dentro da Assistência Social, é extremamente importante que esse Agente Comunitário perceba situações de violência e violação de direitos e possa acionar a rede de forma oficial, seguindo nossos fluxogramas, mas também na perspectiva comunitária de defesa. Nesses dois primeiros dias, vimos o quanto foi acertada essa ação intersetorial a partir de uma construção em conjunto entre assistência social e saúde”, pontua a diretora.

 

Ana Caroline Trindade, diretora de Proteção Social da SEMAS, à esquerda

 

Marcos Silveira, parceiro-executor da Datapedia para o Instituto Opy, relata que as capacitações foram iniciadas a partir da identificação das lacunas de cada UBS, como algumas gerentes e ACS sabiam como operar algumas políticas de assistência social e outras não tinham nenhum conhecimento básico do que poderia ser ofertado em outra pasta que não fosse a saúde, apesar da demanda estar presente em seus atendimentos.

 

“Para iniciarmos esses atendimentos de assistência social e saúde, propomos essa capacitação e agora estamos apresentando o básico de todos os serviços da assistência social para que os agentes, que são a ponta do atendimento, consigam ter acesso e nós possamos fazer a ponte entre o público e as ofertas da prefeitura. Ficamos muito felizes, isso já era uma prioridade da gestão e estamos operacionalizando essa prioridade. Vai ser um trabalho muito legal de janeiro a abril, com capacitações para cada macrorregião da saúde, com uma proposta bem inovadora de participação, acolhimento e troca de saberes entre a assistência social e os agentes”, detalha Marcos.

 

Marcos Silveira, parceiro-executor da Datapedia para o Instituto Opy e a Fundação José Luiz Egydio Setúbal

 

A Secretaria Municipal de Educação (SEMED) também entrou como apoio na capacitação. Jade Rosa, assistente social da SEMED no núcleo de inclusão, mostra que, por exemplo, ao fazer o mapeamento de crianças especiais nas escolas, diversos problemas sociais são encontrados, por ser um espaço de conflito entre diferentes realidades e contextos familiares e sociais.

 

“Trazemos para escola a necessidade de entrar em contato com os postos de saúde. Principalmente com a figura do agente de saúde, porque é ele que está na comunidade, que vai até as casas das famílias e conhece suas realidades. Penso que isso é um momento importante pra gente pensar junto, em rede, com a assistência, educação e saúde, nas necessidades de trazer melhorias na efetivação de direitos dos alunos e  usuários do SUS São Cristóvão”, destaca.

 

 

Para acolher e aproximar os participantes das dinâmicas de aprendizado, o multiartista Ewertton Nunes, membro da Coordenação de Educação em Saúde da SMS, promoveu um momento lúdico e afetivo com dança, música, reflexão sobre os desejos positivos para o ano novo e abraços entre os participantes. Segundo Ewertton, é importante realizar ações sociais como essa para trazer compreensão sobre diferentes áreas de atuação que estão correlacionadas com a saúde, mostrando que todas fazem parte de uma só rede.

 

“Estarmos em alerta para as demandas da nossa população e os agentes transitam muito por aí. Eles são os olhos da população. A ideia é possibilitar outros saberes sobre o serviço e criar processos de humanização para ele, porque quem trabalha junto da saúde, da assistência, precisa sobretudo olhar para a população com um olhar muito mais humanizado. E a nossa ideia é fazer isso aqui com a arte, com a ludicidade e mais humanidade”, ressalta Ewertton.

 

Ewertton Nunes, membro da Coordenação de Educação em Saúde da SMS

 

Para a ACS Isabel Santos dos Anjos, que participou da capacitação, é essencial ter espaços de aprendizado como esse, pois assim é possível aprender muitas coisas novas para serem passadas à população dos locais em que trabalha.

 

“As pessoas com quem nós trabalhamos na área precisam de orientação sobre os problemas de saúde, de alimentação, como é cuidar de um idoso, como é que cuidar de um doente, de uma criança. Então, o que é passado para nós no treinamento, para mim que tenho 63 anos, é muito importante, pois pode ser que não soubesse aquilo no passado, mas posso saber no presente. Eu só tenho a agradecer”, declara Isabel.

 

Isabel Santos dos Anjos, Agente Comunitária de Saúde

 

Fotos: Clara Dias