SMS realiza rodas de conversas com Agentes Comunitários de Saúde sobre acolhimento para a população LGBTQIAP+ no SUS São Cristóvão

01/12/2023 - 00:10 Atualizado há 5 horas



Nesta quinta-feira (30), a Secretaria Municipal de Saúde de São Cristóvão realizou uma roda de conversa sobre sobre o acolhimento para a população LGBTQIAP+ na Atenção Primária à Saúde, voltada aos Agentes Comunitários de Saúde (ACS). A atividade, que aconteceu no Conselho Municipal de Saúde, foi ministrada pela farmacêutica residente em Saúde da Família, Larissa Karoline Alves, que tem realizado esse trabalho em todas as unidades de saúde do município.

 

O trabalho aborda estratégias importantes para aumentar o acesso, principalmente, de pessoas transexuais e travestis na Atenção Primária à Saúde, através da capacitação dos ACSs para a abordagem humanizada e o registro adequado dos dados desses pacientes na plataforma E-SUS Território. Essa plataforma tem o objetivo de facilitar o registro das visitas domiciliares de forma rápida e segura para os agentes.

 

 

A população trans e travesti, não raro, encontra barreiras no acesso aos serviços de saúde, como, por exemplo, o desrespeito ao nome social e identidade de gênero. Contudo, o cartão SUS foi o primeiro documento no país a englobar o nome social e é um direito dessa população tê-lo respeitado durante os atendimentos.

 

Atividade realizada com ACS da UBS Maria José Figueiroa

 

Alguns dos objetivos da discussão foram incentivar o preenchimento dos campos de nome social, identidade de gênero e orientação sexual no cadastro dos novos usuários, bem como a edição desses dados em cadastros já realizados de pessoas com variabilidade nas identidades e o acompanhamento dessas mudanças no território. Para isso, foram discutidos os significados da sigla LGBTQIAPN+ (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais e Travestis, Queer, Intersexo, Assexuais, Pansexuais, Não Binários e mais), a diferença entre identidade de gênero e orientação sexuais, entre outras questões.

 

Atividade realizada com ACS da UBS Parque Santa Rita 

 

Larissa Karoline Alves, farmacêutica residente em Saúde da Família propositora do projeto, explica que as rodas de conversa sobre o tema tem sido realizadas nas unidades de saúde de São Cristóvão desde o início de outubro, tendo mais de 50 ACS participando dos diálogos, discutindo suas dúvidas em relação ao uso do nome social, nome de registro e  preenchimento de cadastro. 

 

“É muito importante que os Agentes Comunitários de Saúde coloquem essas informações no sistema para que nós possamos tratar os dados corretamente e traçar um perfil mais próximo do número real dessa parcela da população. O objetivo geral é incentivar o aumento desse cadastro, do preenchimento, desse campo do sistema que é de gênero e orientação sexual”, destaca Larissa.

 

Larissa Karoline Alves, farmacêutica residente em Saúde da Família

 

Julia Dantas, gerente da UBS Antônio Florêncio de Matos, acompanhou a atividade ministrada para sua equipe e ressalta que “falar sobre o atendimento para a população LGBTQIAPN+ é uma instrução importante para os profissionais se posicionarem de forma correta junto aos usuários. Vamos dar visibilidade para essa população e acolhimento para que possam ir até a nossa unidade e se sentirem acolhidos, não mais discriminados”.

 

Julia Dantas, gerente da UBS Antônio Florêncio de Matos

 

Para a Agente Comunitária de Saúde Juliana Aguiar, que também participou da ação, é essencial pensar nesse processo de registro e acolhimento dentro da assistência para agregar pessoas invisibilizadas pelo sistema. “É um passo importante da administração junto aos processos de educação e saúde, que dá espaço ao tema, um dos mais relevantes a serem discutidos e implantados de maneira adequada e eficaz”, pontua a ACS.

 

Juliana Aguiar, Agente Comunitária de Saúde

 

ACS da UBS UBS Antônio Florêncio de Matos

 

Fotos: Clara Dias e arquivo SMS