Seminário discute a cultura popular dos povos tradicionais

25/08/2021 - 17:21 Atualizado há 1 dia



“Recepciono os convidados deste seminário e o pessoal que veio conferir as palestras, na certeza de que a gestão municipal tem consciência da importância em apoiar este evento, que discute algo fundamental para todos nós, que são as práticas dos povos tradicionais, estas que servirão de fontes de informação para que as futuras gerações continuem levando esses saberes por muitos mais anos, proporcionando assim bem-estar e mais religiosidade à nossa cidade”, enalteceu o prefeito Marcos Santana ao cumprimentar o público do Seminário Culturas Populares: Práticas dos Povos Tradicionais - evento realizado na manhã desta quarta-feira, 25, no Salão Paroquial da Igreja Matriz, sob o organizado da Fundação Municipal de Cultura e Turismo João Bebe-Água (Fumctur).

 


O evento é uma consequência da exposição “Rezadeiras de Nossa Terra”, que aconteceu no início do mês de agosto, enaltecendo as rezadeiras sancristovenses em forma de fotografias expostas na Casa do Folclore Zeca de Norberto. Sob curadoria da poetisa Maria Glória, o seminário teve como foco reviver as práticas religiosas (orações e rezas) para que as novas gerações possam ter contato com essas informações, atualizando assim esses saberes.

 


“É uma realização da prefeitura, pelas mãos da Fumctur, onde acessamos dispositivos das memórias das pessoas de nossa cidade, para que resgatem esses saberes. Para tanto retomamos estas discussões sobre a importância desses povos tão significativos, que servem de referência para outros municípios também, uma vez que várias pessoas, vindas de outras cidades, que viajam até São Cristóvão para encontrarem nossas rezadeiras e curandeiros, que em seus rituais fazem essa chama religiosa sobreviver ao tempo, através de suas mãos e vozes”, disse Maria Glória, que trabalha como coordenadora da Casa do Folclore Zeca de Norberto.


Convidados

 


Reunindo um grupo de palestrantes e especialistas no assunto práticas religiosas e populares, o Seminário Culturas Populares: Práticas dos Povos Tradicionais trouxe para o debate a museóloga e historiadora, Janaína Couvo; as rezadeiras, Dona Marizete e Dona Fátima; o presidente do Centro Aliança de Iluminação do Ser, psicólogo e mestre em Ciência das Religiões, Sérgio Alex; o artista e pesquisador, Jhon Eldon e a terapêutica comunitária, Flávia Santana.

 


“Esse espaço de fala tem transbordamento com as pesquisas que faço na Universidade Federal de Sergipe (UFS). Recebi o convite e trouxe um recorte de como os saberes tradicionais estão sendo abordados hoje em dia, em diferentes lugares do Brasil, na perspectiva de um recorte arte/espiritualidade, arte/religião e arte/estudo de linguagem”, explicou Jhon Eldon.

 


A historiadora Janaína Couvo enfatizou o apoio que recebe constantemente de Maria Glória para continuar pesquisando o assunto. Na ocasião, ela explicou como as práticas dos povos tradicionais permeiam suas pesquisas e estudos desde 2016. “Vejo, atualmente, que as políticas públicas permitem que esses saberes sejam salvaguardados. Esse assunto faz parte de minha formação, a partir dos meus estudos nos terreiros, onde pesquiso o sagrado, o que me permitiu ampliar meu olhar para o universo das rezadeiras e a importância dos seus saberes”, contou.

 


Falando sobre sua própria experiência de vida, Dona Marizete contou aos participantes do seminário, que a religiosidade chegou a sua vida ainda na infância, e que desde então ela ganhou reconhecimento dentro e fora de São Cristóvão, tendo seu nome como uma das mais fortes representatividades no assunto.

 


“Ainda criança, minha irmã se engasgou e eu rezei na hora, ela melhorou. Também a casa onde eu morava com meus pais pegou fogo, na minha mocidade, e eu ajoelhei, rezei, e sei que Jesus me ouviu e o fogo apagou. Meu pai evitava que eu ficasse conhecida por ser uma rezadeira, mas sempre digo que não sou eu quem faz o milagre, mas a fé que a pessoa tem em Deus é que cura, e assim estou esses anos todos recebendo gente pra ser rezada, vem gente até de outras cidades pra me encontrar”, disse Dona Marizete.

 

 

Intermediando o bate-papo, a terapêutica comunitária, Flávia Santana agradeceu em fazer parte do seminário, e na ocasião enfatizou a importância do evento. “Agradeço à prefeitura e a poetisa Glória por este convite, onde, apesar dessa superação da distância entre nós, estamos discutindo um tema tão importante pra todos nós. Que esses saberes e fazeres, representados por nossas rezadeiras, possam ser multiplicados”, pontuou.

 

 

A diretora-presidenta da Fumctur, Paola Santana frisou que a exposição Rezadeiras de Nossa Terra e o Seminário Culturas Populares: Práticas dos Povos Tradicionais devem circular pelos povoados de São Cristóvão, numa espécie de comitiva sociorreligiosa. “Todos esses projetos estão sendo bem visto por parte dos nossos moradores, e alguns diretores de escolas, por exemplo, já entraram em contato com a nossa equipe da Fumctur solicitando para levarmos essas informações para os moradores dos povoados de nossa cidade. Neste momento a Fumctur está trabalhando para viabilizarmos isto”, disse Paola Santana.

Sérgio Alex

 

Dona Marizete

 

Eldon e Janaína 

 

Marcos Santana e Dona Fátima

 

Flávia Santana

 

 

 


Fotos: Heitor Xavier.