Prefeitura entrega readequação da Casa das Culturas Populares

15/12/2021 - 17:12 Atualizado há 3 horas



Fundada em 2000, a antiga Casa do Folclore, localizada na sede da Praça São Francisco, recebeu nesta quarta-feira (15) uma readequação sob novo nome, agora chamada de Casa das Culturas Populares Zeca de Noberto. O objetivo desse espaço é defender e preservar as manifestações culturais, direitos e cidadania dos grupos tradicionais.

 

A solenidade contou com a presença do prefeito Marcos Santana, da presidenta da Fundação Municipal de Cultura e Turismo João Bebe Água, Paola Santana, e da coordenadora da Casa das Culturas Populares, Maria Glória. Representando os grupos culturais, estavam presentes Maria Acácia da Caceteira, Benedito da Chegança e mestre Milton, além da chefe substituta da Casa do Iphan de São Cristóvão, Flávia Gervásio.

 

 

 

 

Em seu discurso, Marcos Santana agradeceu os representantes dos grupos e gestores presentes pelo papel desenvolvido na manutenção da cultura popular na Cidade Mãe. Também foram mencionadas figuras importantes das manifestações locais como o mestre do Reisado, Satu, o mestre das Caceteiras, Rindú, e um momento especial em homenagem a Maria José, conhecida como Foguetim, que teve grande contribuição nas tradições folclóricas da cidade.

 

“Com a readequação da Casa das Culturas Populares nós iremos seguir na tarefa de garantir condições para que os mestres de grupos como a Chegança, a Caceteira e São Gonçalo possam continuar fazendo aquilo que mais sabem fazer. Quero que todos compreendam a importância desse ato, desse gesto para a cultura de São Cristóvão. Este espaço irá acolher todos aqueles que vêm à nossa cidade e é isso que queremos, através de ações como essas iremos buscar cada vez mais fortalecer a nossa cultura popular”, declarou o prefeito Marcos Santana.

 

Prefeito Marcos Santana

 

Durante a solenidade, o prefeito da Cidade Mãe também mencionou outros projetos relacionados ao campo cultural, como por exemplo, o Centro de Memória de São Cristóvão. Previsto para ser implantado no antigo prédio da Prefeitura, o projeto financiado pelo BNDES será um local onde o turista será instigado a conhecer mais da cidade, como a Igreja Nossa Senhora do Carmo, a Bica dos Pintos, o Mirante do Cristo Redentor, a Praça São Francisco, entre muitos outros. Nesta semana também se inicia a restauração da Igreja Nossa Senhora do Amparo, e em breve serão restauradas: a igreja Nossa Senhora do Rosário, o prédio da cadeia e Câmara onde atualmente funciona a Escola Estadual Paulo Sarasate e o projeto de requalificação da esplanada da estação ferroviária.

 

“Esses projetos serão atrações turísticas para nossa cidade então é óbvio que não só os equipamentos precisam estar preparados, mas o nosso povo, a nossa gente que empreende em todo o bairro, em nome da lanchonete, em nome da padaria, aqueles que trabalham no turismo precisam estar preparados para receber muito bem esse povo que vem do mundo inteiro para conhecer a cidade de São Cristóvão”, explicou.

 

Legado cultural

 

A Casa das Culturas Populares chama a atenção desde os bonecos em sua entrada, representando grandes ícones de grupos populares do folclore sancristovense. Também estão presentes brinquedos e peças que referenciam um pouco da cultura presente, além de totens explicativos sobre as manifestações importantes como o Batalhão de São João, o Langa, as Taieiras, e muitos outros.

 

 

 

 

 

Segundo a presidenta da Fumctur, Paola Santana, a mudança de nome surgiu a partir do entendimento que a casa abriga não apenas grupos folclóricos. “Possuimos uma grande produção de cordel, temos grupos de capoeira que entram como cultura popular da cidade de São Cristóvão. As rezadeiras também fazem parte desse grupo de culturas populares, então essa mudança foi pensando nisso, contemplar de forma mais justa e abrangente essa demanda de produção que a cidade tem e estava há muito tempo represada”, informou.

 

Presidenta da Fumctur, Paola Santana

 

A coordenadora da Casa, Maria Glória, enfatizou a felicidade pela nova readequação. “Esse momento é muito emocionante porque é a realização de um sonho, eu sonhei 30 anos com esse momento e não tenho palavras para descrever a minha emoção. Eu só tenho a agradecer aos gestores por trazer de volta a efervescência da cidade, vamos abalar muito com os ensaios abertos, com os grupos tocando. Viva a cultura popular! Viva aos nossos mestres! Viva São Cristóvão!”, comentou.

 

Coordenadora da Casa das Culturas Populares, Glória Maria

 

Para a caceteira e viúva do grande mestre Rindú, Maria Acácia dos Santos, é um momento de muita alegria ver a cultura das caceteiras ser fortalecida em São Cristóvão. “Antigamente a cultura da cidade não tinha ajuda nem nada, agora temos esse auxílio e eu estou gostando demais”, pontuou.

 

a caceteira Maria Acácia dos Santos

 

Já a historiadora do IPHAN, Flávia Gervásio, admira a existência de espaços de reconhecimento cultural. “Para mim é superimportante ter esse espaço de reconhecimento porque o patrimônio tem que ser pensado justamente a partir das pessoas, dos seus saberes, das suas festas, então esse local de valorização das pessoas e ter políticas para poder incentivar e fomentar essas práticas da cultura popular para a população é fundamental”, afirmou.

 

historiadora do IPHAN, Flávia Gervásio

 

Por fim, Paola Santana, acredita que essa mudança chamará mais exposições e que o espaço se torne referência nos eventos da Praça São Francisco. “No dia 26 deste mês teremos um ensaio de grupos folclóricos e a partir de janeiro voltaremos com outras atividades que são os grupos folclóricos sob o pôr do sol, sempre voltado à Casa das Culturas Populares”, concluiu a presidenta da Fumctur.

 

Fotos: Heitor Xavier