VivaCidade: o Museu de Arte Sacra como espaço de representação da fé sancristovense

22/03/2022 - 13:47 Atualizado há 1 hora



A Praça São Francisco é local de grandes riquezas da Cidade Mãe de Sergipe, com suas igrejas, museus e prédios antigos. Um destes é o Museu de Arte Sacra de São Cristóvão, tema de hoje da nossa série de reportagens “VivaCidade”. Localizado à esquerda do Convento São Francisco, ocupando a ala da antiga Capela da Ordem Terceira de mesmo nome, ele guarda diversas representações da fé no município e no Estado.

 

Fundado em 14 de abril de 1974 pelo arcebispo de Aracaju, Dom Luciano José Cabral Duarte, o espaço, que é considerado um dos mais importantes do Brasil, abriga cerca de 500 peças do século XVIII até o século XX, por doação de igrejas e residências sergipanas. Hoje em dia, ele é administrado pela Arquidiocese de Aracaju e mantido por convênios entre a Diocese e o Governo do Estado. Sua última restauração aconteceu em 2005, que contou com o apoio da Petrobras.

 

Dentro do Museu, o visitante logo se depara com a história da quarta cidade mais antiga do Brasil, e então é inserido em uma viagem histórica que percorrerá toda a visita. À primeira vista, é apresentado a rica arquitetura composta por barroco, neoclássico e madeira cedro, e em seguida, conhecemos alguns dos santos mais importantes da história cristã: como a padroeira de São Cristóvão, Nossa Senhora da Vitória, Santo Antônio, Nossa Senhora da Conceição, Santa Dulce dos Pobres entre outros.

 

Um ponto interessante é que cada sala traz sua própria característica. Desde um espaço dedicado ao próprio Dom Luciano e outros bispos, a peças raras em ouro e prata como cálices, âmbulas e os ostensórios da época. Outro destaque fica no andar superior, onde são encontradas obras sacras dos mais diversos tipos e estilos, representando o grande acervo de material católico sergipano que o museu possui.

 

 

Na capela, é possível se encantar com alguns detalhes e itens importantes. É o caso do grande altar-mor folheado a ouro, o antigo sino do convento que possui mais de 300 anos, o belo teto decorado pelo famoso pintor baiano José Teófilo de Jesus do século XIX, que representa a chegada de São Francisco no céu sendo recepcionado por anjos. Logo ao lado da capela está a famosa sala dos ossários, onde foram enterrados os antigos franciscanos que moravam no convento ou eram relacionados a ele, e, além disso, uma antiga cruz de Cristo é presente em seu canto, abençoando os presentes do local.

 

 

 

Relevância histórica

 

Quem tem sua história relacionada a esse prédio é o historiador Jorge Maklin, que iniciou como estagiário, depois passou a atuar como coordenador da equipe e hoje é o diretor técnico do Museu de Arte Sacra de São Cristóvão. Para ele, ter um museu como esse no município é sinônimo de orgulho. “Essa instituição é uma confirmação da história da cidade de São Cristóvão, então somos nada mais que um exemplo arquitetônico e vivo dessa história tão bonita que São Cristóvão tem”.

Jorge Maklin, historiador e diretor técnico do Museu de Arte Sacra de São Cristóvão

 

“O Museu de Arte Sacra conta a história da religião católica que era a oficial do nosso país. Nossa cidade recebe o nome de um santo, e isso já mostra o quanto a Igreja faz parte da história do município. Muito mais que a questão da religiosidade, aqui no museus nós levamos às pessoas o ponto de vista histórico, então ele é um exemplo vivo da história daqui, de uma cidade que tem seus prédios históricos e que grande maioria deles atrelada à religião. Por isso, o Museu de Arte Sacra nada mais é que um conservador no sentido de conservar essa história para que ela seja passada e transmitida para outras gerações e visitantes ”, explicou o historiador.

 

Entre as suas imagens favoritas, ele destaca a ‘Fuga para o Egito’, obra do século XIX, feita de madeira e folheada a ouro. “Essa peça foi uma doação da diocese de Própria e tem uma importância muito grande pois nesse período era muito difícil encontrar imagens que representassem essa passagem bíblica então eu acredito que essa imagem é uma das que mais possui destaque aqui dentro da instituição”, diz Jorge.

Imagem sacra, 'Fuga para o Egito'

 

Espaço de aprendizado

 

Ainda de acordo com o diretor técnico, os períodos em que o Museu mais recebe turistas são os meses de férias como fevereiro, junho, julho e dezembro. Em especial, existe também a movimentação em março, que por se tratar do mês da mudança da capital, há muitas visitas de escolas. “Recebemos muitas crianças de Aracaju que vem para conhecer São Cristóvão, uma vez que foi a primeira capital do nosso estado”, comentou Jorge Maklin.

 

Outras ações que acontecem na instituição são os eventos a nível nacional, como a “Semana Nacional dos Museus”, no mês de maio, e a “Primavera dos Museus”, em setembro, em que são organizadas exposições temporárias e palestras. Para essas exposições há uma sala específica, que também é espaço de divulgação de artistas da Cidade Mãe como a artista plástica Vesta Viana, o artista plástico Gladston Barroso, o luthier Mestre Passos e muitos outros.

 

Para o professor e artista plástico, Gladston Barroso, ter o museu como espaço de valorização de artistas locais é muito importante pois foi lá onde teve a oportunidade de realizar a sua primeira exposição individual, ‘Figure-se’. “O Museu sempre foi um refúgio para aprender o universo da arte. Como professor, eu apresento aos meus alunos esse espaço de interação com o nosso passado e o presente, é um portal onde aprendo coisas novas”.

Gladston Barroso, professor e artista plástico

 

Atualmente, a instituição está exibindo uma exposição sobre a Festa de Senhor de Passos, considerada a maior festa religiosa do município. A exibição vai até o mês de abril.

Exposição sobre Senhor dos Passos

 

Funcionamento

 

O Museu de Arte Sacra de São Cristóvão funciona de terça-feira a domingo, das 10h às 16h. A entrada custa R$ 10,00 e tem direito a meia-entrada estudantes, idosos e professores. Moradores da Cidade Mãe não pagam desde que comprovem que são munícipes.

 

Fotos: Dani Santos