Projeto ‘Travessia’: um plano de atividades não presenciais para alunos de São Cristóvão durante a pandemia

20/07/2020 - 16:28 Atualizado há 17 horas



Em tempos de pandemia do novo coronavírus, a criação de outro modelo pedagógico tornou-se um desafio. O projeto Travessia se constitui em um esforço para assegurar às crianças e jovens matriculados na rede municipal de ensino, o desenvolvimento pedagógico e socioemocional por meio de atividades não presenciais.

 

Com os prédios escolares fechados por tempo indeterminado, a rede pública de São Cristóvão tem buscado solução para suas 30 escolas e cerca de 7.500 alunos distribuídos em um território marcado por diferenças econômicas, sociais e culturais.

 

Quitéria de Barros, secretária de Educação do município

 

Como observa a secretária municipal de Educação, Quitéria de Barros, foi pensando nas especificidades que inviabilizam a utilização exclusiva de tecnologia digital que a Secretaria Municipal de Educação (Semed) desenvolveu o projeto. “Sabemos o quão adversas são as circunstâncias, mas consideramos que cruzar os braços não é uma opção. Diagnosticamos que uma parcela considerável da matrícula de nossas escolas não possui acesso às tecnologias via internet. Assim, há que se fazer uso dos mais diversos instrumentos para se criar a necessária ponte entre professor e aluno”, explica Quitéria.

 

Todo material foi elaborado conforme determina a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Currículo de Sergipe, pensando nos alunos da rede e no contexto de pandemia. Os cadernos foram elaborados pelos professores, com a orientação e o acompanhamento de técnicos da Secretaria de Educação. A avaliação será feita de acordo com o planejamento estabelecido pela Semed.

 

O ‘Travessia’ leva em consideração a especificidade de cada região e escola do município. Ele contará com materiais online e caderno impresso de atividades, além de um plantão de dúvidas nas escolas e centros comunitários. “São materiais que vão atender alunos da Educação Infantil, do Ensino Fundamental, da Educação de Jovens e Adultos e da Educação Especial. Os cadernos serão enviados para os diretores e eles, farão a distribuição do material virtualmente ou de maneira impressa, levando em consideração todos os cuidados necessários com a manipulação de papel neste período de pandemia”, informa a diretora pedagógica da Semed, Deise Barroso.

 

Deise Barroso, diretora pedagógica da Semed

 

Andrey César Louzada, coordenador do ensino fundamental e anos iniciais da Semed, explica que cada unidade de ensino fará um filtro para distribuição dos materiais. O objetivo é verificar quais alunos poderão desenvolver as atividades por meio digital e aqueles que precisarão receber o material impresso. “O caderno tem a proposta de levar as atividades, mas a metodologia quem vai aplicar é o professor, através de videoaulas e áudios orientando. Aos alunos que não têm acesso à realidade digital, será feito um trabalho presencial respeitando todas as medidas de segurança para evitar a proliferação da Covid-19”, detalha.

 

Para Deise Barroso, esse deve ser um esforço conjunto, reunindo os mais diversos atores educacionais, políticos e sociais. “São várias mãos interligadas para chegar até o aluno, para que ele não fique desassistido. São as mães, professores, técnicos da Semed e gestores juntos com o mesmo objetivo”, explica a diretora.

 

Andrey César Louzada, coordenador do ensino fundamental e anos iniciais da Semed

 

Fotos: Heitor Xavier