Projeto Mãe das Águas realiza limpeza das margens do Rio Pitanga

23/03/2023 - 19:37 Atualizado há 1 dia



Com o objetivo desmistificar as práticas referentes à colocação das oferendas em torno do Rio Pitanga e promover a conscientização ambiental para a preservação do local, a Prefeitura de São Cristóvão, através da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas), promoveu na manhã desta quinta-feira (23) uma ação que integra o projeto Mãe das Águas. Na oportunidade, foi realizada a limpeza das margens do rio e uma orientação para os adeptos das religiões de matrizes africanas sobre a maneira ideal para realizar as oferendas sem causar danos à natureza. 




Conforme explicou a Coordenadora de Promoção e Inclusão da Igualdade Racial da Semas, Acácia Maria Santos, o entorno do Rio Pitanga, com acesso pela Rodovia João Bebe-Água é um espaço considerado sagrado dos terreiros de Candomblé e Umbanda. As margens do Rio são utilizadas há muito tempo para a colocação de oferendas, mas o uso, de maneira aleatória, desordenada e clandestina, acabou prejudicando a relação homem-natureza.




“Esse espaço já é utilizado clandestinamente há mais de 30 anos para colocação das oferendas. Quando a chuva vem, todo o lixo que ficou das oferendas acaba sendo levado para dentro do rio, poluindo o meio ambiente e contribuindo para causar enchentes. Nosso objetivo com o Projeto Mãe das Águas é fazer a limpeza desse local e conscientizar quem faz uso dele. Se eles tiverem a consciência de que não é necessário deixar o alguidar e as garrafas nas suas obrigações, mas sim em cima das folhas, por exemplo, fica bem mais fácil. Assim eles continuam praticando sua religião e ajudam a natureza”, explicou. 



Coordenadora de Promoção e Inclusão da Igualdade Racial da Semas, Acácia Maria Santos

 

Acácia acrescentou ainda que a questão ambiental tem sido tema de muita discussão no mundo inteiro. Segundo ela, “isso exige uma reflexão na mudança de hábitos, fazendo uso de materiais que não agridam o meio ambiente e que possam melhorar o aspecto dos rios, florestas, estradas rurais e urbanas. O planeta pede socorro, e os adeptos das religiões de matrizes africanas podem colaborar para a mudança deste cenário”, pontuou a coordenadora.

 




 

Pai Vadinho de Oxossi foi uma das pessoas que aceitaram o convite para colaborar com o Projeto Mãe das Águas. Ele destacou a importância da conscientização e reforçou que “se a pessoa tem amor ao orixá, tem amor à natureza, porque todos os orixás vem dela. Por isso é importante preservar, cuidar desse bem. É possível manifestar sua religião, fazer sua oferenda sem causar danos à natureza, porque precisamos dela para sobreviver”, apontou.

 



Pai Vadinho de Oxossi

 

 

Responsável pelo setor de frente de massa do Acampamento Emília Maria, Cristian Oliveira, ressaltou que é fundamental que esse trabalho de preservação seja algo coletivo. “Nosso acampamento fica nessa área, então nós temos por obrigação cuidar do meio ambiente, manter essa área limpa, preservada. Estamos aqui para nos somar com essa ação”, declarou. 



Responsável pelo setor de frente de massa do Acampamento Emília Maria, Cristian Oliveira

 

Educação Ambiental



O trabalho de limpeza e de conscientização contou com o apoio da Superintendência Municipal de Trânsito e Transporte (SMTT), Acampamento Emília Maria e adeptos das religiões de Matrizes Africanas de Sergipe. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) também fez parte do evento celebrando, na ocasião, o Dia Mundial da Água (22 de março). 



O coordenador da Semma, Manuel Júnior, destacou que é possível conciliar a educação ambiental com as religiões de matrizes africanas, já que ambas possuem relação direta com a natureza. “A educação ambiental pode contribuir na promoção de práticas sustentáveis dentro das comunidades religiosas, enquanto a religião de matriz africana pode trazer sua sabedoria ancestral para a preservação dos ecossistemas e a promoção da biodiversidade”.




 

 

Programação do Projeto Mãe das Águas



A programação continua nesta sexta-feira (24), com as seguintes ações: 

 

09h - Recolher a água do Rio Pitanga para regar as árvores da Praça da Matriz, simbolizando a importância dos rios e celebrar o Dia Nacional das Águas (22 de março).

10h - Cortejo ao som dos agogôs e atabaques com a saída da Igreja Nossa Senhora dos Homens Pretos e chegada na Praça da Matriz para regar as plantas e também comemorar o dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé
Lei N° 14.519/2023 (21 de março)

 

 

Fotos: Dani Santos