Programação cultural encerra celebração pelos 12 anos da chancela da Praça São Francisco

08/08/2022 - 16:36 Atualizado há 2 horas



Com muita cultura e arte, a Prefeitura de São Cristóvão encerrou na última sexta-feira (05),  a programação pelos 12 anos do título de Patrimônio Cultural da Humanidade da Praça São Francisco. O evento que ocorreu durante a tarde e noite, também contou com um culto ecumênico com a participação de representantes de várias religiões, exposições, oficinas e outras atividades.

 

No que diz respeito às apresentações culturais, o público pôde apreciar o espetáculo de dança interativo Mulheres da Terra, Xirê, Samba de Coco da Ilha e as Sayderas. Além destas atividades, também houve Oficina de Xilogravura com o Mestre Nivaldo Oliveira e Oficina de desenhos criativos com Gladston Barroso. 

 

Em sua fala durante o encerramento do evento, o prefeito de São Cristóvão, Marcos Santana, destacou a importância de celebrar a chancela da Praça e de refletir sobre o que deve ser feito para que o título seja mantido. “A gente não pode deixar passar em branco uma data como essa, porque a conquista dessa dessa desse título foi uma luta de políticos, de historiadores, e de muita gente de São Cristóvão. Nesta celebração temos que incluir uma reflexão da importância do título e da manutenção porque ele não é um título garantido eternamente, ele só se manterá se o poder público, se as pessoas, se todos se unirem para manter a praça com a manutenção física e uma função social”, apontou. 

Superintendente do IPHAN e prefeito de São Cristóvão

 

O superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Diego Passos, falou sobre a representação que a Praça tem para o povo sancristovense e para o mundo por todas as características presentes nela. 

 

“Ela representa toda a identidade do povo de São Cristóvão. Quando a gente remete para a história, é um dos poucos monumentos que representam a união da coroa portuguesa com a coroa espanhola. Mundialmente falando, é um dos poucos marcos que representam a União Ibérica. Nos dias de hoje isso representa a identidade do povo de São Cristóvão, representa o orgulho, o suor, o sangue da população daqui. A população daqui tem que se orgulhar disso, porque é a sua identidade sendo exposta para o mundo inteiro”, afirmou o superintendente. 

 

Representantes de diversas religiões participaram do evento

 

O pensamento dele é semelhante ao do coordenador de patrimônio cultural da Funcap, Alan Rios, que apontou a importância que a Praça possui para o estado de Sergipe. “Como sergipano me sinto muito orgulhoso da gente ter esse sítio aqui. São quatorze no Brasil e cinco no Nordeste, um deles está em São Cristóvão, em Sergipe. Como um patrimônio cultural ela deve ser sempre ocupada, e nós defendemos que esses grupos artísticos e religiosos devem estar ocupando a praça”, acredita.

 

Coordenador de patrimônio cultural da Funcap, Alan Rios

 

Cenário de diversos eventos ao longo da sua história, a Praça São Francisco é o principal palco do Festival de Artes de São Cristóvão (Fasc), e de atividades com menores proporções, como é o caso da Feira São Criativos. Realizada durante o aniversário da chancela da Praça, a Feira reuniu na última sexta artesãos e comerciantes que puderam apresentar seus trabalhos para o público. Uma destas artesãs é a Débora Cristina, que participa da Feira desde 2017. Para ela, poder comercializar seus produtos em um local que é patrimônio mundial é importante. “Acho algo interessante por incentivar a cultura local. Tenho o prazer de sair de casa, me comunicar, expor a minha arte para outras pessoas que visitam a Praça e a cidade, e isso para mim é algo terapêutico”, afirma. 

 

Débora Cristina, artesã

 

A Praça

 

 A Praça São Francisco é um conjunto arquitetônico e único exemplar no Brasil que se constitui como um assentamento urbano que representa a fusão do modelo urbanístico usado por Espanha e Portugal. Ou seja, testemunho único do período de união das duas, entre 1580 e 1640.

 

Ela se constitui de um espaço quadrilátero composto de edifícios públicos e privados como a Igreja e o convento São Francisco. Ao se tornar patrimônio em nível global, tanto pelo seu valor histórico como sociocultural, a praça se configura como lugar de memória coletiva para os moradores, bem como local com potencialidades para o desenvolvimento do turismo, a exemplo de outros sítios históricos espalhados pelos cinco continentes.

 

 

Fotos: Dani Santos