Professores, alunos e famílias juntos em prol da educação em São Cristóvão

26/04/2021 - 14:47 Atualizado há 3 dias



As manhãs da professora Suzimara Oliveira de Souza ganharam novos contornos. O que antes era deslocamento até a sala de aula passou a ser um ligar de computador ou celular e estar on-line e mais próxima dos alunos. Como cada aula exige uma dinâmica diferente, ela reequipou a sala da própria casa para usar o lúdico e as brincadeiras no processo de alfabetização. 

Suzimara Oliveira de Souza

 

São Cristóvão mudou totalmente as perspectivas de ensino e readequou o sistema dentro da Rede Municipal. Desde 2020, com o advento da pandemia, o Projeto Travessia vem sendo aperfeiçoado e colocado em prática de forma mais direta. O resultado: pais e alunos mais empenhados em trabalhar os parâmetros educativos. Paralelamente, e mesmo de longe, os professores estão cada dia mais perto de seus alunos. 

 

“Cumprimento os alunos, canto e passo a atividade com o assunto que vamos trabalhar naquele momento. Quando a pandemia começou, eu não sabia qual caminho seguir e acabei sentindo a necessidade de me colocar nas aulas, colocar meu rosto para que os alunos vejam que mesmo distantes, nós estamos conectados”, disse Suzimara.

 

A Secretaria Municipal de Educação (Semed), através do Projeto Travessia, vem ofertando cursos para aperfeiçoamentos do uso das técnicas digitais em prol do ensino, e dentro deste processo, Suzimara pontuou que nas aulas presenciais era comum usar recursos visuais e brincadeiras, e que estes mesmos recursos foram readaptados para os dias atuais. 

 

“Agora envio vídeos curtos, até porque muitos pais não têm crédito para ficar muito tempo na internet. Assim, tudo precisa ser rápido e não demandar muito o uso da internet. Os alunos recebem esses conteúdos e fazem as atividades. Peço que os pais me mandem as respostas. Agora temos dois públicos de ensino: alunos e pais”, enfatizou a professora.

 

A professora Ana Luiza Santos Cortês reforçou a importância da mudança de foco para que o ensino atinja seu público-alvo. Ela contou que o que antes era apenas o uso da tecnologia para a recreação familiar, se transformou em ponte. “Nos readaptamos à nova realidade. Além dos cursos que a Semed nos oferece, busquei outros exemplos de como dar aula on-line e descobri, por exemplos, a ‘Caixa de Música’ e a ‘Sorveteria das Letras’, que servem para alfabetizar, ensinar as letras. O contato com a sala de aula está diferente e exige que nós, professores, estejamos mais expostos, e mais preparados para repassarmos esses conteúdos aos nossos alunos através de vídeo aula”, disse.

Ana Luiza Santos Cortês

Ana Luiza Santos Cortês

 

Eline de Oliveira Santana é mãe de Emilly Karoline, uma criança da quarta série que vem, desde o ano passado, se readaptando para estudar. Para facilitar o aprendizado, a mãe montou uma estrutura mínima para que a garota se sinta realmente em sala de aula. Além da cadeira e da mesinha, a menina usa o celular para receber as atividades, e a mãe também passa na escola para pegar o bloco de atividades impresso.

 

 

Eline de Oliveira Santana e Emilly Karoline

 

“Acompanho a aula dela do início ao fim. Vejo de perto e quando surge alguma dúvida, eu converso com a professora através do WhatsApp. Consigo essa assistência com a professora, que sempre está disposta a nos ajudar, ainda que de longe. É um empenho que não deve ser apenas da criança ou do professor, cabe a nós, mães e pais também, entrarmos neste processo de ensino”, enfatizou.

 


O Travessia 

 

A secretária municipal de educação, Quitéria de Barros, explicou que o nome Travessia vem justamente da união que o momento pede, e que desde agosto de 2020, uma ponte vem sendo construída entre professores, pais e alunos. Quitéria pontuou que o aprendizado dentro da Rede Municipal de Ensino continua acontecendo, através do desenvolvimento de tarefas adaptadas. 

 

“Travessia vem daí: de pegarmos as mãos uns dos outros para atravessarmos esse período da pandemia ao lado de nossas crianças. Este trabalho não deve ser apenas do professor ou do aluno. É um caminho que pais, cidadãos, políticas públicas e que todos nós devamos gerir juntos. Na Rede de Ensino de São Cristóvão nos reposicionamos diante do que é a educação hoje em dia”, frisou Quitéria.

Quitéria de Barros

 

A secretária informou que, atualmente, a Educação de São Cristóvão está munida de diversos fatores que somados resultam numa melhor forma de ensino, como por exemplos: a entrega de conteúdo escolar impresso (bloco de atividades) aos pais e responsáveis; o acompanhamento pedagógico; os cursos de aperfeiçoamento e uso das redes sociais (para formação constante dos professores) e o plantão pedagógico (com horário e dia marcado). Todos estes fatores passaram a fazer parte do cotidiano da educação de crianças e jovens sancristovenses. 

 

“Procuramos de todas as formas acompanharmos nossos alunos. É um reposicionamento do olhar para a educação, onde damos também espaço para que os pais possam tirar dúvidas, tanto através da internet quanto em horário e dia marcados, para que assim os alunos possam ter esse acompanhamento constante, sendo que durante o plantão pedagógico, nós respeitamos os protocolos de saúde e o distanciamento social. A forma de ensinar mudou e nós estamos nos adaptando para que isso aconteça da melhor forma possível”, finalizou Quitéria.


Fotos: Dani Santos.