Prefeitura realiza roda de conversa sobre o Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

21/07/2022 - 13:35 Atualizado há 3 horas



A Prefeitura de São Cristóvão, por meio da Secretaria Municipal de Assistência Social (SEMAS), realizou na última segunda-feira (23) mais um Papo de Mulher Jovem, desta vez com o tema alusivo ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e ao Dia Nacional de Tereza de Benguela, comemorados em 25 de julho. A ação foi organizada pelo Instituto de Desenvolvimento Socioambiental (Idesa Brasil), teve a participação do projeto Abraçando Vidas e foi direcionada às moradoras do bairro Tijuquinha.

 

Na ocasião foram ofertados diversos serviços para as mulheres que fizeram parte do evento, como limpeza de pele, tranças, manicure, aferição de pressão, oftalmologista, dentre outros. Para Sandra Sena, coordenadora de políticas para a população LGBTQIA+ da SEMAS, o evento foi uma oportunidade de levar cuidados às mulheres, mas também de "mostrar a história de Tereza de Benguela e a importância das mulheres negras, que sempre contribuíram para o desenvolvimento do país e não são citadas na história. Em um país em que o maior índice de feminicídio está entre mulheres negras e periféricas, é importante trazer esse debate", disse.

 

Sandra Sena, coordenadora de políticas para a população LGBTQIA+ da SEMAS

 

Serviços ofertados durante o evento

 

Leônia Silva, coordenadora do projeto Abraçando Vidas, destacou que a parceria com a Prefeitura é fundamental para viabilizar eventos como este. "Abraçando Vidas é um projeto que nasceu no bairro Tijuquinha devido às demandas das mulheres negras e de baixa renda, além das necessidades da população que é carente de serviços. Desde que a gestão municipal começou a fazer parte das nossas agendas, como parceira, temos a presença de profissionais que só agregam, fazendo a diferença na vida de todos os que participam”, frisou.  

 

Leônia Silva, coordenadora do projeto Abraçando Vidas

 

Emerson Daltro é coordenador de educação ambiental e mobilização social do Idesa e, para ele, "desde que o Idesa migrou para São Cristóvão, não parou de desenvolver projetos dentro do Tijuquinha, principalmente através de cursos de capacitação para mulheres. Estamos desenvolvendo essas políticas públicas e sociais junto com a Prefeitura, que sempre nos auxilia com estrutura física e recursos humanos para a concretização dessas ações, que são tão importantes para a comunidade", explicou.

 

Emerson Daltro, coordenador de educação ambiental e mobilização social do Idesa

 

Participantes

 

Keylliane Regina de Araújo Santos, representante dos jovens do Tijuquinha, salientou que a comunidade é vista como um lugar perigoso e sem oportunidades, por isso a importância de disseminar a ideia de que as pessoas precisam reconhecer o seu valor, para conquistar espaços importantes na sociedade. “A prefeitura nos possibilita essa visibilidade e é a primeira vez que uma gestão nos enxerga e nos beneficia com eventos voltados para o desenvolvimento pessoal. Além de abordar temas que nos estimulem a abraçar o projeto e mostrar a nossa voz", pontuou.

 

Keylliane Regina de Araújo Santos, representante dos jovens do Tijuquinha

 

Márcia Santos é manicure, soube do evento através do projeto Abraçando Vidas e não hesitou em fazer parte.  "Além de ser um evento que valoriza o trabalho das mulheres da comunidade, com a oferta de serviços que todas nós gostamos e que algumas não têm a oportunidade de divulgar, o evento ainda trouxe um tema valioso para nós, mulheres negras, que sofremos tanto preconceito. É bom para entendermos a nossa força e para nos mostrar que podemos ocupar o lugar que quisermos”, falou a moradora.

 

Márcia Santos, manicure

 

Laís Santana Lima trabalha no bairro como trancista e agradeceu pela oportunidade de mostrar o seu trabalho. "Esse evento traz visibilidade para nós que somos autônomas. Sinto um orgulho imenso do meu trabalho. A trança faz parte da cultura africana, representa  a nossa ancestralidade e eu fiz questão de estar aqui para fazer em cada uma que se habilite. As palestras deste evento nos fazem refletir sobre valorização, enfrentamento o racismo, o sexismo, além de nos apresentar a história de Tereza de Benguela, que muitas não conheciam, mas agora já podem se inspirar", destacou.

 

Laís Santana Lima, trancista

 

 

 

Fotos: Dani Santos