Prefeitura de São Cristóvão promove exposição sobre Lélia Gonzalez e o feminismo negro

08/03/2022 - 23:11 Atualizado há 7 horas



A Prefeitura de São Cristóvão, através da Fundação Municipal de Cultura e Turismo (Fumctur), realizou nesta terça-feira (8), Dia Internacional da Mulher, a exposição “Lélia Gonzalez: O Feminismo Negro no Palco da História”. O evento aconteceu no pátio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), local onde estão expostos os painéis que contam com detalhes a trajetória da antropóloga, historiadora, filósofa, escritora e, sobretudo, fundadora do Movimento Negro Unificado, Lélia Gonzalez.

 

A exposição dividiu espaço com a participação efetiva de mulheres admiradoras e conhecedoras da obra de Lélia Gonzalez, dentre elas a agente comunitária Josineide Dantas, conhecida como Gigi Poetisa; a professora Yersia Souza de Assis; a presidenta da Fumctur, Paola Santana; Flávia Klausing Gervási, historiadora do Iphan; além do prefeito, Marcos Santana, que não hesitou em dar as boas-vindas a todos os presentes, principalmente aos alunos Escola Estadual Deputado Elísio Carmelo, que acompanharam atentamente o conteúdo da exposição e palestra.

 

 

Marcos Santana, prefeito de São Cristóvão

 

"Eventos como este, que trazem reflexão sobre assuntos que nos tocam no dia a dia, como mulheres, mulheres negras, racismo, sexismo, eu venho falar com receio de que a minha fala deixe escapar resquícios do racismo estrutural que já fez parte do meu entorno. Porém, mesmo parecendo algo enraizado na sociedade, existe a possibilidade de mudança, de desconstrução. É justamente o que eu tenho buscado todos os dias. Por isso é tão importante ter o público jovem nestes debates, sobre o Dia Internacional da Mulher, sobre racismo estrutural, ou outros temas que nos incitam a mudanças e nos libertam de todos os tipos de intolerância e discriminação.”, enfatizou o prefeito.

 

Público jovem, agregando conhecimento sobre diversidade e respeito, sobretudo ao universo feminista negro

 

Uma mulher à frente do seu tempo, Lélia Gonzalez foi uma brasileira revolucionária e visionária, principalmente por ser a pioneira em levar aos espaços públicos o debate sobre o feminismo negro no país, isso na década de 1970. A professora Yersia Souza de Assis salienta que conversar sobre Lélika com o público jovem é muito importante porque em um futuro próximo eles serão os formadores de idéias e opiniões e logo serão futuros profissionais da sociedade.

 

Yersia Souza de Assis, professora 

 

“Ter conversas com essa especificidade de hoje, fazendo referência ao 08 de março, com essa perspectiva de discutir Lélia Gonzalez e a condição da mulher negra, é muito importante, especialmente porque em um futuro próximo, esses jovens serão os educadores que devem olhar para os seus estudantes negros e negras de outra forma, serão os profissionais da saúde que vão oferecer tratamento equitativo aos seus pacientes, inclusive com as mulheres pretas gestantes, que recebem menos assistência e sofrem mais mortandade. Ao possibilitarmos esse debate com eles, estamos garantindo um futuro melhor, de evolução, para que a gente se entenda numa sociedade mais inclusiva, mais justa, igualitária e mais respeitosa”, enfatizou a professora.

 

Yersia de Assis, Gigi Poetisa e os alunos 

 

Para a aluna do terceiro ano, Yasmin Lima, a exposição foi oportuna para agregar conhecimento e, principalmente, para servir de inspiração quando assunto é lutar contra a estrutura e conquistar espaço na sociedade. “Eu não conhecia a história dela e fiquei impressionada com o tanto que ela conquistou em uma época em que mulheres tinham menos direitos que hoje. Com muita luta ela conseguiu crescer e se posicionar na sociedade, condição que eu também almejo. Por isso a história dela serve de inspiração para que eu consiga também”, disse a aluna.

 

Yasmin Lima, 18 anos, estudante da Escola Estadual Deputado Elísio Carmelo

 

Exposição e palestra sobre a trajetória de Lélia Gonzalez

 

 

 

 

 

Fotos: Dani Santos