Festival de Cultura Afro reúne artistas, moradores e visitantes para o encerramento do mês da Consciência Negra em São Cristóvão

29/11/2021 - 17:01 Atualizado há 15 horas



No último sábado, 27, São Cristóvão foi palco de um dos principais eventos de valorização da cultura negra do município, o Festival de Cultura Afro. O evento foi promovido pela prefeitura de São Cristóvão, através da Coordenação de Igualdade Racial, da Fundação Municipal de Cultura e Turismo João Bebe Água (Fumctur) e marcou o encerramento das atividades alusivas ao mês da Consciência Negra.

 

O festival iniciou com um cortejo, conduzido pelo grupo musical Afoxé di Preto, que saiu da Igreja Nossa Senhora do Amparo dos Homens Pardos, seguindo para a Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos e finalizou na Praça São Francisco, com a participação de diversos grupos que retrataram os saberes e fazeres africanos, como a capoeira; a gastronomia, com a Feira de Afro-empreendedores sancristovenses, a dança, representada pelo grupo Xirêmoba.

 

Grupo Afoxé Di Preto

 

Para o prefeito Marcos Santana, o evento transpõe a finalização das comemorações do mês da Consciência Negra e representa o esforço constante da gestão para superar as barreiras históricas da discriminação racial. “Meu desejo é que eventos como este não se encerrem nunca, pois enfatizam a ideia de luta contra qualquer tipo de preconceito e intolerância. Quando digo que São Cristóvão é a Cidade Mãe de Sergipe, eu me refiro a todos, independente de religião e cor e o festival veio para reforçar essa ideia”, explicou.      

 

Marcos Santana, prefeito

 

A presidente da Fumctur, Paola Santana, destacou que “esse evento representa uma prestação de contas com a população negra de São Cristóvão. Significa a luta pela devolução dos direitos que nunca deveriam ter sido tirados, por isso o intuito é que o festival aconteça anualmente no mês de novembro, sempre culminando com o encerramento das atividades do mês da Consciência Negra e que as atividades que aconteceram apenas no mês de novembro aconteçam todo ano. Isso, para incutir na mente, principalmente das crianças, a consciência do que é o ser negro e da questão do racismo estrutural que está muito impregnado ainda”, disse.

 

Paola Santana, presidente da Fumctur

 

Esteve no evento o Superintendente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Diego Passos, que considerou o evento como “de grande importância para o estado, por enaltecer a cultura afro, tão rica e tão presente em nosso cotidiano, além de  valorizar as religiões de matrizes africanas, muitas vezes marginalizadas por falta de conhecimento”, pontuou. A ocasião também simbolizou um marco importante para o município, pois houve a assinatura de duas leis, uma que institui o Dia Municipal de Luta Contra o Racismo e  outra que garante 20% das vagas em cargos públicos aos candidatos declarados negros.

 

Diego Passos, superintendente do Iphan

 

Atividades, representatividade e agradecimento

 

A Feira do Afro-empreendedor fez parte da programação e a organização priorizou a população negra do município para a venda de alimentos e artesanatos relacionados à cultura afro. “Como morador de São Cristóvão e candomblecista, eu me sinto honrado em fazer parte de um evento tão representativo. Aqui eu pude ver muito da minha religião, dos meus ancestrais, além de poder expor e vender os meus artigos, as minhas bijuterias. Estou feliz por mostrar o que a gente tem para oferecer”, destacou o vendedor Alfredo Brabec.

 

Alfredo Brabec, vendedor

 

Assim como Alfredo, a aposentada Jielza Correia também agradeceu pela oportunidade de comercializar os seus produtos durante o evento. “A prefeitura está de parabéns por trazer toda essa ancestralidade e por despertar a atenção para a diversidade do trabalho executado pelo nosso povo. Tudo isso faz com que os munícipes de São Cristóvão resgatem a sua autoestima e eu sou uma dessas pessoas”, detalhou.

 

Jielza Correia, vendedora

 

Um dos segmentos que retratou a cultura ancestral foi a música e para o presidente do grupo Afoxé di Preto, Allan d-Xangô, o evento foi “um momento de muita alegria, verdade, tradição. É incrível a influência das religiões de matrizes africanas que essa cidade tem, pela grande extensão de terreiros aqui do território. Então estar neste evento com o meu grupo é mais que um prêmio, é uma homenagem aos nossos antepassados. O evento significa que o nosso tambor nunca vai parar, é sinônimo de resistência mesmo”, declarou.

 

Allan D-Xangô, presidente do grupo Afoxé Di Preto

 

Para o professor Wécio Bezerra, o empenho da prefeitura em mobilizar pessoas para esse momento é de suma importância para a formação do cidadão consciente e, sobretudo, praticante do respeito à diversidade. “Eu sempre estou militando em sala de aula sobre a importância de discutir as questões étnico-raciais e quando vejo a gestão municipal mobilizar os grupos, da cidade e de fora, como eu, para que todos possam conhecer mais da cultura afro, dos movimentos de capoeira, dos movimentos religiosos, fico emocionado, principalmente pela forma como esse conhecimento vem sendo compartilhado”, explicou.

 

Wécio Bezerra, professor

 

Festival de Cultura Afro

 

Festival de Cultura Afro

 

Festival de Cultura Afro

 

Festival de Cultura Afro

 

Festival de Cultura Afro

 

 

Fotos: Heitor Xavier