Exposição sobre Lélia Gonzalez aporta em São Cristóvão

01/03/2021 - 16:26 Atualizado há 1 dia



A partir do próximo dia 08 de março, em alusão ao Dia Internacional da Mulher, acontecerá em São Cristóvão a abertura da exposição “Lélia Gonzalez: O Feminismo Negro no Palco da História”. Os interessados deverão atender os protocolos de saúde e afastamento, estipulados pela Secretaria Municipal de Saúde, que indica apenas a entrada de cinco pessoas simultaneamente no espaço da exposição por vez. A história de Lélia poderá ser visitada no Museu da Polícia Militar, de segunda a sexta, das 8h às 16h, Centro Histórico de São Cristóvão. A organização da mostra é assinada pela Fundação de Cultura e Turismo João Bebe-Água (Fundact), sob orientação da Coordenadoria de Promoção e Igualdade Racial.

 

Através de totens e banners, a exposição “Lélia Gonzalez: O Feminismo Negro no Palco da História” faz parte dos trabalhos da Rede de Desenvolvimento Humano, e foi patrocinada pela Fundação Banco do Brasil. Atualmente, Sandra Sena está responsável pelos equipamentos que compõe a exposição. Sandra, que trabalha também na coordenação de captação de recursos da Fundact, falou sobre a importância de trazer Lélia Gonzalez a solo sancristovense. “Faço parte do Movimento Negro Unificado (MNU) e há 10 anos tive contato com a história de vida de Lélia Gonzalez, que fez parte da criação deste movimento. Vale ressaltar que Lélia foi uma das responsáveis por influenciar Angela Davis, em todo o processo de discutir o feminismo e o movimento negro mundial, por exemplo. O mundo conhece Lélia e o Brasil também passou a reconhecer a sua importância, não apenas pelas questões feministas, mas pelo ativismo negro. Por tudo isto é que esta exposição é essencial nos dias de hoje”, pontua Sandra.

 

Segundo Sandra, poucos estados receberam essa exposição. “Neste caso, por estar sob meu domínio, acabo por me responsabilizar pela disseminação do legado de Lélia Gonzalez. Assim, os expositores trarão a sua história de vida de forma sequenciada. Também teremos dois livros, que foram produzidos quando a exposição foi criada, e que estarão ao acesso do público. A exposição também fará um link entre a história de Lélia e os acontecimentos históricos brasileiros”, explica Sandra Sena.

Sandra e Acácia montando a exposição

 

De acordo com a coordenadora municipal de promoção e igualdade racial, Acácia Maria Santos, a montagem da exposição dialoga com a necessidade de enfatizar o papel desta mulher, negra e filha de cidadãos humildes, que viria a se tornar um ícone tanto no Brasil quanto fora do país. “Lélia foi uma lutadora, que iniciou o movimento negro brasileiro, se tornando um sinônimo de resistência social. A vinda desta exposição para a nossa cidade é o pontapé que estávamos necessitando para a retomada de alguns trabalhos dentro da Coordenadoria de Promoção e Igualdade Racial, que inicia 2021 com a perspectiva de grandes projetos”, frisa Acácia.

 

 

Acácia revela ainda que nos próximos meses, a Coordenadoria de Promoção e Igualdade Racial concluirá o trabalho de mapeamento dos terreiros e casas de matrizes africanas e que organizará em São Cristóvão também a exposição “Mãe África”, que tem curadoria de Guga Viana.

Lélia Gonzalez  (Foto: Internet)

 

Segundo a presidenta da Fundact, Paola Santana, a Coordenadoria de Promoção e Igualdade Racial tem papel fundamental dentro da gestão municipal. “Nossa cidade é conhecida por sua cultura e patrimônio histórico, mas temos também um fator que nos coloca na frente das demais cidades sergipanas que é a nossa população negra. São Cristóvão é uma cidade que respira a Cultura Afro e temos inúmeros terreiros dentro do município. Neste sentido temos sim que divulgar mais nossas raízes africanas, numa pauta inclusiva e não segregadora. A exposição de Lélia Gonzalez é um marco para nossa cidade”, concluiu.

 

Fotos: Dani Santos/Imagens da Internet.