Exposição Máscaras ‘Humanum Est’ leva a cultura afro-brasileira para a Casa das Culturas Populares

08/02/2022 - 18:17 Atualizado há 3 horas



A partir do último edital da Lei Aldir Blanc, a Prefeitura de São Cristóvão, por meio da Fundação Municipal de Cultura e Turismo João Bebe-Água (Fumctur), tem trabalhado em dar visibilidade aos artistas e movimentos culturais dentro da Cidade Mãe de Sergipe. Marcando o segundo projeto do ano, deu-se início nesta terça-feira (08) na Casa das Culturas Populares, a Exposição Máscaras “Humanum Est” do artista plástico Wendell Ramos.

 

Seguindo as normas de saúde com o uso obrigatório de máscaras, a abertura contou com a participação de visitantes e colegas íntimos do artista. A exposição, que estará aberta ao público até 27 de março, busca retratar a cultura brasileira através das máscaras africanas.

 

 

 

 

Segundo Wendell, o título ‘Humanum Est’ veio da inspiração de uma música do compositor brasileiro Jorge Ben Jor, trazendo a “ideia da máscara como ser humano, de humanizar quem sempre foi esquecido. No início do século XX a máscara era considerada como algo ruim, então eu moldei esse significado a fim de humanizar a produção da África, de entender que lá não é um país, mas sim um continente como Brasil, um país onde diversas formas culturais acontecem em cada estado e na África cada país tem a sua produção”, explica.

 

Composto por 10 telas pintadas com tinta acrílica, o artista plástico pontuou a importância da Lei Aldir em proporcionar oportunidades como essa tanto para ele como para outros profissionais. “Eu vejo que esses subsídios são importantes para a nossa cultura nesse momento que estamos vivendo de pandemia, então é importantíssimo, um respiro, um segundo pulmão para quem trabalha”, aponta.

 

Wendell Ramos, artista plástico

 

A coordenadora da Casa das Culturas Populares, Maria Glória, comenta que a Casa possui o dever de abrir as portas para qualquer manifestação que traga o local de fala, principalmente do negro. “É meu dever também como mulher negra, mulher sancristovense já que a cidade está num momento de efervescência cultural, um momento de abertura em todos os segmentos seja nas imagens, na cultura, na saúde, em todos os segmentos São Cristóvão está abrindo as portas”.

 

Maria Glória, coordenadora da Casa das Culturas Populares



Para a diretora de cultura da Fumctur, Elma Santos, projetos como esses são relevantes porque há uma comunidade muito grande de pessoas negras no município, além da Casa das Culturas Populares servir de equipamento de exposição dessas temáticas. “Escolhemos esse espaço justamente para falar disso, por ser uma cultura que está agregada a nossa formação de fato, então nós utilizamos o espaço de acordo com o que se propõe”.

 

Elma Santos, diretora de cultura da Fumctur

 

Visitantes

 

O artista iniciante Matheus Menezes disse ser um grande fã de Wendell, e contou que espera um dia ter suas obras expostas na Cidade Mãe. “Wendell é uma inspiração para mim, ele consegue reunir várias coisas e colocar dentro de um quadro. Ele me instiga a produzir mais, então ver seu trabalho sendo exibido aqui é demais”, declara.

 

Matheus Menezes, artista iniciante

 

Já a estudante Carol Ramos elogia a inserção de espaços que tragam visibilidade para os artistas sergipanos. “É necessário que a Prefeitura e o Estado enxerguem esses artistas e cedam espaços para que eles possam de fato exercer o que são, o que eles acreditam porque ser artista não é só expor as artes, ele precisa de recursos, materiais para que se tenha uma casa, material para fazer e para educar futuramente a população”, acredita.

 

Carol Ramos, estudante

 

A Casa das Culturas Populares fica localizada na Praça São Francisco e funciona de terça a sábado de 8h às 16h, e nos domingos e feriados das 9h às 13h.

 

Fotos: Heitor Xavier