Construção da Masculinidade: Homens pelo fim da violência contra a mulher

30/08/2021 - 17:05 Atualizado há 3 dias



As atividades do Agosto Lilás, mês dedicado ao combate à violência contra a mulher, ainda não acabaram. A Secretaria Municipal de Assistência Social e do Trabalho (Semast) realizou nesta segunda-feira (30), uma roda de conversa com 32 servidores do município para debater temas como a construção de masculinidades e o impacto delas na rede de violência e abuso contra as mulheres. O evento foi ministrado pelo Dr. Marcos Aurélio de Araújo, pediatra e terapeuta de constelação familiar e o estudante de psicologia Carlos Magalhães.

 

 

Marcos Aurélio de Araújo falou que o objetivo da roda de conversa foi tirar o homem do lugar comum, sair do lugar de privilégio e transportá-lo para um local de conversa sobre a violência contra a mulher. “Nós somos os agentes dessa violência, então nós precisamos falar sobre. Uma oportunidade como essa é única, é mais uma forma de conscientizar sobre o machismo estrutural e iniciar o combate na cabeça desses homens que aqui estavam. Ficamos muito felizes em poder participar dessa ação”, explicou Marcos.

 

Marcos Aurélio de Araújo

 

De acordo com Maria Helena Fortes, coordenadora de políticas para mulheres da Semast, o principal objetivo da ação foi transformar os funcionários do município em multiplicadores dessa causa. “A gente pensou em começar com eles para que eles possam atuar nas suas comunidades, acolhendo essas vítimas e entendendo a fonte dessa violência. Eles podem receber essa violência enquanto criança, e involuntariamente acabam reproduzindo. Então com essa ação a gente fortalece a causa e faz com que mais homens sejam agentes multiplicadores da defesa da mulher”, explicou Helena.

 

Maria Helena Fortes, coordenadora de políticas para mulheres

 

Carlos Magalhães acredita que a importância de tocar nesse assunto é justamente chamar o homem para assumir a responsabilidade dele nesse movimento contra a violência. “É fundamental que nós assumamos as responsabilidades, questionando nosso modo de estar no mundo como homens, e a partir daí propor novas reflexões e outras maneiras desvinculadas à masculinidade tóxica”, destacou Carlos.

“Essa masculinidade é um conjunto de padrões e normas prejudiciais não só para os homens, mas também para as mulheres. Quanto mais uma masculinidade adoecida e fixa, que não se permite vivenciar outros modos de ser homem, mais a chance dele implodir com tanta pressão. E a violência contra a mulher é o estágio final disso tudo. A gente precisa falar sobre isso, e mostrar as alternativas existentes para mudar essa realidade”, finalizou o estudante de psicologia.

 

Carlos Magalhães

 

Para Anderson Vieira, conselheiro tutelar de São Cristóvão, a roda de conversa foi um momento incrível para falar sobre o papel do homem nesse combate. “As agressões contra as mulheres ocorrem por parte dos homens, e nada melhor que discutir o assunto com o próprio agente violador. Nós sentimos falta desse espaço de conscientização na sociedade, para que o homem venha entender qual seu real papel, e trabalhar de uma forma preventiva através da reeducação”, disse Anderson.

 

 

Fotos: Dani Santos