10 anos de Chancela: O que mudou em São Cristóvão com a chancela da Unesco na visão da gestão municipal

31/07/2020 - 22:41 Atualizado há 13 horas



Datada do século XVI, a Praça São Francisco, em São Cristóvão, é um conjunto arquitetônico erguido a partir das regras da Ordenação Filipinas no período de domínio da União Ibérica, entre os anos de 1580 a 1640. Seu tombamento, em 1º de agosto de 2010, pela Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), tem possibilitado uma série de ações estruturais com perspectivas para o futuro do município.

 

Sendo o único patrimônio deste tipo em Sergipe e integrando 14 Sítios Patrimônio Mundial culturais do Brasil, a Praça tem uma importância enorme para a vida e para história do povo sancristovense. Segundo o prefeito Marcos Santana, a inclusão de São Cristóvão na seleta lista da Unesco tem trazido oportunidades e visibilidade para o município. “Ela nos possibilita conhecimento em nível mundial, ou seja, nossa cidade passa a ser objeto de interesse no mundo inteiro, por turistas, estudiosos, dentre outros”, afirma.

 

Prefeito Marcos Santana

 

No que diz respeito ao aspecto local, algumas mudanças que podem ser visualizadas na cidade e são consequências do próprio título, como a rede de esgotamento do Centro Histórico. “Se o Centro Histórico está passando por obras de rede de esgotamento sanitário que vai ter uma cobertura de mais de 90%, sendo um dos poucos locais no Brasil com esse percentual, isso se deve a Chancela da Praça. Foi um dos compromissos assumidos pelo Brasil, junto a Unesco para que a candidatura da Praça pudesse ser aceita”, detalha o gestor.

 

Além disso, outras obras na cidade forma possibilitadas por influência da Praça, a exemplo das melhorias no acesso ao Centro Histórico, com a recuperação da Rodovia João Bebe-Água, e após sete anos, a sinalização turística da cidade conforme exige a Unesco. “Hoje nós temos marcos de distância, placas sinalizando os bens tombados, estamos concluindo os totens que irão instruir os visitantes. Além disso, colocamos placas na BR e em Aracaju, mostrando onde fica São Cristóvão e que aqui possui um bem tombado mundialmente”, explica o arquiteto da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Edílio Lima.

 

Arquiteto da Secretaria Municipal de Infraestrutura, Edílio Lima

 

Cuidados

 

O arquiteto reforça que a atual gestão municipal tem se preocupado e viabilizado ações para que a Praça se mantenha em bom estado de conservação, o que de acordo com ele, não ocorria em outras gestões. “Nós já recuperamos os bancos, regularizamos a coleta de lixo, substituímos as lixeiras, fizemos a revisão de toda iluminação do local, e nos eventos nos preocupamos com todos os detalhes para que o patrimônio não seja danificado. Além disso, o prefeito tem participado de todas as reuniões com os prefeitos de outras cidades históricas”, acrescenta Edílio.

 

Bancos foram recuperados e lixeiras novas instaladas

 

Turismo e cultura

 

A Praça São Francisco é palco das manifestações culturais e religiosas diversas, tendo uma grande influência para o município. Ao longo dos anos, ela tem recebido eventos como o Festival de Artes, o Encontro da Procissão de Senhor dos Passos e o antigo Projeto Seresta.

 

A visibilidade promovida pelo título de Patrimônio Mundial reforçou a procura de turistas pelo cartão postal, como relata o diretor-presidente da Fundação de Cultura e Arte João Bebe-Água (Fundact), Gaspeu Fontes. “Percebemos que houve uma procura maior pela cidade, porque as pessoas querem conhecer a Praça São Francisco, e isso contribui diretamente na economia local, já que elas compram os produtos locais quando visitam nossa cidade”, lembra o diretor.

 

Turistas passaram a vir à São Cristóvão para conhecer a Praça São Francisco

 

Para atrair visitantes para a cidade, a Fundact tem feito diversas ações de divulgação do destino São Cristóvão para as Agências de Turismo e para a imprensa nacional especializada na área. Além disso, ações de preparação com os comerciantes da cidade estão sendo realizadas, para que eles possam atender os turistas da melhor forma.

 

Gaspeu Fontes, diretor-presidente da Fundact

 

Necessidade de recursos

 

Para o prefeito Marcos Santana, ainda há muito a ser feito e que pode ser explorado a partir do título de Patrimônio Mundial, porém, ele evidencia que para que isso ocorra, o governo brasileiro precisa dar aos monumentos históricos a importância que eles devem ter. “Esse título traz visibilidade, mas também traz responsabilidades. Cabe a nós gestores, manter adequadamente esses monumentos para garantir a perenidade do título, já que podemos perdê-lo caso o cuidado não seja feito. Se ampliamos a responsabilidade de cuidar, essas cidades precisam ser olhadas pelo governo central também de maneira diferenciada. Fazendo com que nós tenhamos recursos extraordinários para o cuidado não só do monumento, mas de todo seu entorno”, enfatiza.

 

Na ótica do gestor, as cidades Patrimônio Mundial, precisam ter acesso a recursos para cuidar do entorno mais ampliado da Praça, possibilitando serviços de mobilidade urbana, coleta de lixo regular, “para que a população dê ao título a importância que ele tem e para que ela se sinta proprietária desse título e lute para que ele permaneça por toda a vida”, acrescenta Marcos Santana.

 

 

Fotos: Diretoria de Comunicação e Igor Graccho