10 anos de Chancela: moradores de São Cristóvão falam do orgulho em residir numa cidade com Patrimônio Mundial

30/07/2020 - 18:01 Atualizado há 3 dias



Há dez anos, o morador de São Cristóvão, Eanes dos Santos, viu a Praça que fica ao lado da sua casa integrar uma seleta lista de relevância internacional: a Praça São Francisco se tornava um dos 14 Patrimônios Mundiais Cultural da Humanidade tombados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) no Brasil.

 

Com visão privilegiada da Praça, o assistente administrativo pode ver de perto as diversas ações para manutenção da arquitetura original ao longo dos anos, além de acompanhar as frequentes manifestações culturais, religiosas e turísticas que a Praça foi palco. “Todos os eventos que ocorrem na cidade tem como base a Praça São Francisco, como foi o antigo Projeto Seresta, o Festival de Artes e o encontro da Procissão de Senhor dos Passos. Na época do Fasc ficamos aqui em um camarote sem pagar nada, são poucos que tem esse privilégio”, detalha.

 

Integrante do Comitê Gestor da Praça São Francisco, como membro da população, Eanes ressalta seu sentimento de orgulho em morar numa cidade com um sítio Patrimônio Mundial da Humanidade. “Essa Praça é linda. Cheia de patrimônios arquitetônicos, com igrejas, museus. Sinto-me bem morando aqui”, conta.

 

Gladston Barroso, artista visual e professor 

 

Vista de qualquer ângulo, a Praça São Francisco parece um quadro pintado à mão. Cada detalhe remete a uma curiosidade da sua fundação, seja seu cruzeiro, as igrejas e museus ao seu entorno, a algarobeira, até as pedras que compõem seu piso. É assim que o artista visual Gladston Barroso transforma o cartão postal em pintura, literalmente.

 

Para ele, a Praça São Francisco é pura poesia, e é essa ideia que ele tenta reproduzir através de seus desenhos e pinturas, levando, assim, para outras pessoas a beleza do local. “Quando comecei a desenhar, utilizava os elementos da Praça como plano de fundo e até hoje continuo fazendo isso. Sempre quando tenho tempo livre, vou até lá e busco desenhá-la”, afirma.

 

Além do lado artístico, a simbologia da Praça também é passada por Gladston através de suas aulas. Professor da rede pública de ensino, ele conta que busca sempre passar para os alunos a importância que esse patrimônio tem para todo o estado de Sergipe. “Nas minhas aulas, uso a Praça e busco trazer os elementos de São Cristóvão, para que eles entendam a relevância de se ter um patrimônio na cidade”.

 

Gladston reproduziu a Praça nas telas 

 

Segundo ele, ao longo dos anos, os moradores do município passaram a compreender a importância do local. “Percebi que nos últimos anos os moradores começaram a se apropriar da Praça, começaram a olhar com mais carinho, pararam de jogar lixo. Acredito que o fato de ter se tornado um Patrimônio Mundial também fez com que a autoestima das pessoas daqui aumentasse bastante, o título reforçou nosso sentimento de pertencimento à cidade”, finaliza.

 

Marieta Santos, produtora de queijadas

 

Produtora das tradicionais queijadinhas de São Cristóvão há 71 anos, Marieta Santos conta que à época da Chancela as vendas do produto aumentaram consideravelmente. Segundo ela, desde então, o número de turistas na cidade cresceu, assim como a busca pelo doce também passou a ser mais frequente. “Na época da Chancela foi a melhor coisa do mundo, porque vendemos bastante. Acho que a Praça é importante para nós e para todo mundo. Todos que chegam aqui querem ver a Praça”, aponta.

 

Nascida da Cidade Mãe de Sergipe, ela relata o orgulho que possui das suas origens, e reforça que a simbologia da Praça São Francisco, reconhecida mundialmente, desperta ainda mais esse sentimento. “Aqui é a melhor cidade do mundo. É uma cidade que lhe dá tudo. Desde pequena que trabalho e venci nessa cidade, junto com meus irmãos e filhos. Eu tenho o maior orgulho de São Cristóvão, e de todas as praças, a São Francisco é a melhor”.

 

 

Fotos: Heitor Xavier e Dani Santos

Arte: Gladston Barroso